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terça-feira, 10 de abril de 2012

Cuide de você!

O e-mail que a Sophie Calle recebeu e que deu origem ao trabalho na postagem anterior:


"Sophie

Há algum tempo venho querendo lhe escrever e responder ao seu último e-mail. Ao mesmo tempo, me pareceria melhor conversar com você e dizer o que tenho a dizer de viva voz. Mas pelo menos será por escrito.


Como você pôde ver, não tenho estado bem ultimamente. É como se não me reconhecesse na minha própria existência. Uma espécie de angústia terrível, contra a qual não posso fazer grande coisa, senão seguir adiante para tentar superá-la, como sempre fiz. Quando nos conhecemos, você impôs uma condição: não ser a “quarta”. Eu mantive o meu compromisso: há meses deixei de ver as “outras”, não achando obviamente um meio de vê-las, sem fazer de você uma delas.


Achei que isso bastasse; achei que amar você e o seu amor seriam suficientes para que a angústia que me faz sempre querer buscar outros horizontes e me impede de ser tranquilo e, sem dúvida, de ser simplesmente feliz e “generoso”, se aquietasse com o seu contato e na certeza de que o amor que você tem por mim foi o mais benéfico para mim, o mais benéfico que jamais tive, você sabe disso. Achei que a escrita seria um remédio, que meu “desassossego” se dissolveria nela para encontrar você.


Mas não. Estou pior ainda; não tenho condições sequer de lhe explicar o estado em que me encontro. Então, esta semana, comecei a procurar as “outras”. E sei bem o que isso significa para mim e em que tipo de ciclo estou entrando. Jamais menti para você e não é agora que vou começar.


Houve uma outra regra que você impôs no início de nossa história: no dia em que deixássemos de ser amantes, seria inconcebível para você me ver novamente. Você sabe que essa imposição me parece desastrosa, injusta (já que você ainda vê B., R.,…) e compreensível (obviamente…); com isso, jamais poderia me tornar seu amigo.


Mas hoje, você pode avaliar a importância da minha decisão, uma vez que estou disposto a me curvar diante da sua vontade, pois deixar de ver você e de falar com você, de apreender o seu olhar sobre as coisas e os seres e a doçura com a qual você me trata são coisas das quais sentirei uma saudade infinita. Aconteça o que acontecer, saiba que nunca deixarei de amar você da maneira que sempre amei desde que nos conhecemos, e esse amor se estenderá em mim e, tenho certeza, jamais morrerá.


Mas hoje, seria a pior das farsas manter uma situação que você sabe tão bem quanto eu ter se tornado irremediável, mesmo com todo o amor que sentimos um pelo outro. E é justamente esse amor que me obriga a ser honesto com você mais uma vez, como última prova do que houve entre nós e que permanecerá único.


Gostaria que as coisas tivessem tomado um rumo diferente.


Cuide de você."

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Beuys criar e se criar

REcebi pela Lista Nucleo Aberto de Performance, resolvi compartilhar!

Joseph Beuys: Criar é se criar
Por Christina Fornaciari

Numerosos são os historiadores e críticos de arte que estabelecem um marco histórico em torno do qual desenvolvem seu pensamento. Ao tentar compreender o surgimento da arte moderna, Nicolas Bourriaud, em "Formes de vie", define como divisor de águas a racionalização do trabalho, ainda no Século XIX. Para Bourriaud, a modernidade artística surge ao mesmo tempo em que se instauram as práticas de divisão do trabalho, quando a produção industrial passa a reduzir o esforço humano a uma repetição de gestos imutáveis e cronometrados, condicionando o comportamento do homem (1). Em sua relação com o tempo e com o espaço, o homem se repete – levanta-se todos os dias no mesmo horário, para percorrer o mesmo trajeto em direção ao local de trabalho, onde exercerá os mesmos gestos repetidos em um ritmo pré-determinado, só então reencontrado um pequeno tempo/espaço não normatizado, onde possa simplesmente existir. Dessa forma, o que o fordismo e o taylorismo impõem, em última instância, é a separação entre a produção de bens materiais e a produção de si. Não há, nessa economia da produção industrial, espaço ou tempo para gestos que não contenham em si um fator remuneratório, gestos de individuação. Nesse contexto, a modernidade inaugura uma prática artística que contraria a produção industrial, ao propor a não separação entre os gestos de produção e os gestos de individuação, ao unir trabalho – a obra de arte – à vida do indivíduo – o artista/autor. Então, tanto quanto um quadro ou uma escultura, a modernidade artística valoriza também certos gestos de existência, certos modos de viver, valendo o imperativo principal que poderia se formular assim: faça de sua vida uma obra de arte.

É a partir dessa noção de arte que pretendo abordar alguns aspectos da obra do artista alemão Joseph Beuys. Apesar de sua vasta produção em escultura, aquarela, pintura e desenho, é a produção imaterial beuysiana – ações performáticas, suas aulas e sua biografia – que chama atenção diante do que Bourriaud denominou existência unificada.

Em 1964, no dia da comemoração aos 20 anos do fracasso do golpe de Stauffenberg contra Hitler, Beuys expôs sua autobiografia fictícia. Explicou, entre outras coisas, que a presença de gordura e feltro em quase todos os seus trabalhos, originou-se em seu encontro com uma população tribal da União Soviética, a qual teria salvado sua vida ao enrolá-lo nesses materiais após a queda de seu avião, metralhado durante a Segunda Guerra Mundial. Com este ato Beuys integra seu próprio personagem à sua problemática artística, recriando sua própria existência. Sua biografia, que remonta à cultura européia dos santos, onde esculturas invisíveis são erigida (2), não importa ser tida como verdadeira e nem como falsa, mas como uma lenda, no sentido da palavra em latim – aquilo que deve ser lido e dito, aquilo que é narrado. Recorrente e difusa, variável e não verificável, a lenda tem o status de verdade, ou assume seu lugar. No entanto, a lenda de Joseph Beuys deve ser tomada não como constituinte de uma verdade, mas pelo efeito de verdade que esta agrega a toda a análise de sua obra artística. É imprescindível à compreensão da produção beusyana que se recorra à lenda, da mesma forma como a lenda é constantemente alimentada e reafirmada pela obra.

O próprio Beuys, ao refletir sobre sua produção, afirma que "na verdade, esse choque ao final da guerra é minha primeira experiência, a experiência fundamental, a qual, de fato, foi o que me levou a começar a produzir arte, ou seja, a me orientar em direção a um começo radicalmente novo (3)"(minha tradução). Beuys está constantemente a alimentar sua obra com a lenda, retornando incessantemente ao início do ciclo que o criou como mito. Desta forma, Beuys se re-insere na própria obra, ao contrário do artista que se retira quando o trabalho está pronto. Ao aparecer em público sempre vestido em seu colete de aviador e chapéu de feltro, atributos simbólicos que o relacionam a sua biografia conturbada, Beuys, assim como um xamã, identifica sua existência a uma qualidade mítica que deve ser louvada – não por ser verdadeira, mas porque a própria sociedade admitiu sua proclamação, sem questionar se o que ele descreve foi realmente vivenciado.

Ao esculpir sua própria identidade, Beuys nos apresenta a máxima da arte moderna e seu conceito alargado de arte, onde a fala é pintura, e o pensamento, ação. Ao apresentar-se contra "o silêncio de Marcel Duchamp" (4), Beuys utiliza-se do princípio que ele mesmo denominou de "conferência permanente", no qual afirma o espaço ilimitado de seu campo de ação que pressupõe a presença do artista e seu poder de enunciação de si e de sua arte. Cada declaração sua, cada frase explicativa de sua obra é necessariamente parte da obra. Portanto, ele é responsável por sua fala, assim como um pintor é responsável por sua pintura. Por exemplo, a escultura para Beuys está intrinsecamente ligada à voz do artista, à sua presença, à sua lenda, à sua vida. Sua arte opõe-se a tudo o que é imutável, à medida em que constrói um espaço em constante transformação e perecimento. A sua escolha por trabalhar com materiais como gordura, animais mortos, mel, sangue, feltro, caracteriza essa necessidade de se situar em um processo de transformação. Longe de apresentar esses materiais em si mesmos, como obras de arte acabadas, Beuys utiliza-os como um ponto de partida, um lugar de onde reflexões possam aflorar.

Beuys utilizou a gordura pela primeira vez em uma performance realizada no "Festival of New Art", na Universidade de Aachen, na Alemanha, quando foi diretamente atacado por estudantes de direita. Enquanto ele derretia duas barras de gordura em pratos quentes, ouvia-se como trilha sonora o infame discurso do político alemão Joseph Goebbles, que veementemente convocava toda a população para entrar em estado de "guerra total". O confronto direto causado por essa experiência – Beuys foi agredido fisicamente, tendo o rosto atingido e ensangüentado, segurando um crucifixo contra os agressores – nos dá um quadro do que a obra de Beuys representa para ele mesmo: um desejo de "provocar as energias das pessoas e conduzi-las a uma discussão geral sobre os problemas presentes" , novamente retornando a um conceito alargado de arte, que envolve sua atuação cotidiana perante a sociedade, num contínuo processo de criação de si e de sua arte.

Xamanismo, presença física, construção de uma lenda, construção de si: a dimensão da obra de Beuys vai além da materialidade de sua produção, vai além de sua escultura social, sendo a própria vida do artista um dispositivo crucial, insubstituível. Na concepção beusyana, assim como na modernidade artística apontada por Bourriaud, a arte não está separada da vida, mas essa alarga sua prerrogativa natural, sendo o artista em si um material no qual esculpir, capaz de transformar estados mentais como nenhum outro pode fazer.

Christina Fornaciari é mestra em Performance pela Queen Mary's University of London e graduada em Teatro pelo Teatro Universitário da UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais.

Notas:
1 BOURRIAUD, Nicolas. Formes de Vie. Paris, Editións Denoël, 1999.
2 BURCKHARDT, Jacqueline (org.), Una Discussione, Zurique, 1986. p 136.
3 HAL, Foster. Art Since 1990, (Vol. 2). Nova York: Thames and Hudson Inc., 2004. Pág. 481.
4 Beuys se revela contrário ao conceito de "anti-arte"em sua ação "O silêncio de Marcel Duchamp é superestimado", de 11 de novembro de 1964.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

My Favorite salsa PICANTE


A Dani me falou dele, ela tem o prazer de ter contato com ele. Eu vi uns vídeos, li ums textos e comecei a achá-lo FODA.

Guillermo Gomez-Peña

não quero adjetivar o trabaho deste cara. mas este inclui algumas décadas de ativismo performático, ensino (!!!), videos, ação etc.
Identidade. Política. Fronteiras. Arte. Religião.
o site do cara e dos caras (ele atua também num coletivo) é
http://www.pochanostra.com/
POCHANOSTRA

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Hakin Bey


O Douglas postou algo de alguém muito foda. Já havia lido HAkin Bey e acho muito foda. E Recomendo aos colegas a leitura.
aquiAQUI CLIQUEME CLIQUE CLIQUE ME! tem mais artigos deste cara tão instigante.

Terrorismo Poético (TP)

Dançar de forma bizarra durante a noite inteira nos caixas eletrônicos dos banco. Apresentações pirotécnicas não autorizadas. Land-art1.2, peças de argila que sugerem estranhos artefatos alienígenas espalhados em parques estaduais. Arrombe apartamentos, mas, em vez de roubar, deixe objetos Poético-Terroristas. Seqüestre alguém e o faça feliz.

Escolha alguém ao acaso e o convença de que é herdeiro de uma enorme, inútil e impressionante fortuna - digamos, 5 mil quilômetros quadrados na Antártica, um velho elefante de circo, um orfanato em Bombaim ou uma coleção de manuscritos de alquimia. Mais tarde, essa pessoa perceberá que por alguns momentos acreditou em algo extraordinário e talvez se sinta motivada a procurar um modo mais interessante de existência.

Coloque placas de bronze comemorativas nos lugares (públicos ou privados) onde você teve uma revelação ou viveu uma experiência sexual particularmente inesquecível etc.

Fique nu para simbolizar algo.

Organize uma greve em sua escola ou trabalho em protesto por eles não satisfazerem a sua necessidade de indolência e beleza espiritual.

A arte do grafite emprestou alguma graça aos horríveis vagões do metrô e sóbrios monumentos públicos - a arte-TP também pode ser criada para lugares públicos: poemas rabiscados nos lavabos dos tribunais, pequenos fetiches abandonados em parques e restaurantes, arte-xerox sob o limpador de pára-brisas de carros estacionados, slogans escritos com letras gigantes nas paredes de playgrunds, cartas anônimas enviadas a destinatários previamente eleitos ou escolhidos ao acaso (fraude postal), transmissões de rádio piratas. Cimento fresco...

A reação do público ou choque-estético produzido pelo TP tem de ser uma emoção menos tão forte quanto o terror - profunda repugnância, tesão sexual, temor supersticioso, súbitas revelações intuitivas, angústia dadísta - não importa se o TP é dirigido a apenas uma ou várias pessoas, se é ``assinado'' ou anônimo: se não mudar a vida de alguém (além da do artista), ele falhou.

TP é um ato num Teatro da Crueldade sem palco, sem fileiras de poltronas, sem ingressos ou paredes. Pare que funcione, o TP deve afastar-se de forma categórica de todas as estruturas tradicionais para o consumo de arte (galerias, publicações, mídia). Mesmo as táticas da guerrilha Situacionista do teatro de rua talvez já tenham se tornado conhecidas e previsíveis demais.

Uma primorosa sedução praticada não apenas em busca da satisfação mútua, mas também como um ato consciente de uma vida deliberadamente bela - talvez isso seja o TP em seu alto grau. Os Terroristas-Poéticos comportam-se como um trapaceiro totalmente confiante cujo objetivo não é dinheiro, mas transformação.

Não faça TP Para outros artistas, faça-o para aquelas pessoas que não perceberão (pelo menos não imediatamente) que aquilo que você fez é arte. Evite categorias artísticas reconhecíveis, evite politicagem, não argumente, não seja sentimental. Seja brutal, assuma riscos, vandalize apenas o que deve ser destruído, faça algo de que as crianças se lembrarão por toda a vida - mas não seja espontâneo a menos que a musa do TP tenha se apossado de você.

Vista-se de forma intencional. Deixe um nome falso. Torne-se uma lenda. O melhor TP é contra a lei, mas não seja pego. Arte como crime; crime como arte.

domingo, 11 de outubro de 2009

Teia da performance segundo Schechner

Recomenda-se uma ação: use uma lupa.



Meu método é similar ao dos aborígenes que creditam os sonhos a uma realidade tão poderosa e importante quanto a dos eventos que experienciamos acordados. Eu sei que as análises podem ser feitas separando-se os planos de realidade; mas às vezes - especialmente no teatro - é necessário viver como se o "se" fosse o mesmo que "é". (...) Performances são faz-de-conta, de brincadeira, por diversão. Ou, como Victor Turner disse, no modo subjuntivo, o famoso "se". Ou, como em sânscrito, performances são lîla - esportes, brincadeiras - e maya, ilusórias. Mas, como a tradição do sânscrito enfatiza, a vida toda é lîla e maya. Performance é uma ilusão de uma ilusão e, assim sendo, pode ser considerada mais "verdadeira", mais "real" do que a experiência ordinária.

Brincadeira, jogo, esporte, teatro e ritual: várias qualidades básicas são compartilhadas por essas atividades: 1) uma ordenação especial de tempo; 2) um valor especial emprestado aos objetos; 3) improdutividade em termos de bens; 4) regras. Frequentemente lugares especiais - lugares não-ordinários - são escolhidos ou construídos para essas performances.

O tempo do relógio é unidirecional, uma mensuração uniforme linear e cíclica adaptada do dia-noite e dos ritmos das estações. Nas atividades performáticas, entretanto, o tempo é adaptado ao evento, e é portanto suscetível a numerosas variações e distorções criativas. As principais variações do tempo de performance são:

1. Tempo do evento, quando a atividade tem uma sequência estipulada e todos os passos dessa sequência devem ser completados, não importando quanto tempo de relógio se passe. Exemplos: beisebol, corrida de automobilismo; rituais em que um "estado" é buscado, como danças da chuva, curas xamânicas, reencontros; performances teatrais com roteiro.

2. Tempo estipulado, quando um padrão de tempo arbitrário é imposto aos eventos - eles começam e terminam em momentos determinados, não importando se eles são ou não "completados". Aqui há uma batalha angustiante entre a atividade e o relógio. Exemplos: futebol, basquete, jogos estruturados em "quanto" você consegue fazer em "x" tempo.

3. Tempo simbólico, quando o intervalo de tempo da atividade representa outro (mais longo ou mais curto) intervalo de tempo do relógio, como as noções cristâs de "fim dos tempos", o "tempo de sonho" aborígene ou a meta zen do "estar presente no agora". Exemplos: teatro, rituais que reatualizam eventos ou eliminam o tempo, como brincadeiras de faz-de-conta e jogos.

Regras especiais existem, são formuladas e persistem porque essas atividades são algo à parte do dia-a-dia. Um mundo especial é criado onde as pessoas podem fazer as regras, rearrajar o tempo, estipular valor às coisas e trabalhar por prazer. Esse "mundo especial" não é fortuito, mas uma parte vital da vida humana. Nenhuma sociedade e nenhum indivíduo podem aguentar sem ele. E é especial somente quando comparado às atividades "ordinárias" do trabalho produtivo.

Brincadeira é "atividade livre", onde cada um faz suas próprias regras. Em termos freudianos, a brincadeira expressa o princípio do prazer, o mundo da fantasia privada. Ritual é estritamente programado, expressando a submissão do indivíduo às forças "superiores" ou pelo menos "diferentes". O ritual resume o princípio da realidade, a concordância em obedecer regras que são dadas. Jogos, esportes e teatro (dança, música) fazem uma média entre esses extremos. É nessas atividades que as pessoas expressam seu comportamento social.



Uma ação tem cinco características básicas: 1) processo, alguma coisa acontece aqui e agora; 2) atos, trocas ou situações com consequências, irremediáveis e irrevogáveis; 3) competição, algo está "em jogo" para os performers e frequentemente para os espectadores; 4) iniciação, uma mudança de status para os participantes; 5) o espaço é usado concretamente e organicamente.

(...) O problema continua: como animais (e pessoas) mostram a diferença entre brincadeira e "pra valer"? Comportamento ritualizado, incluindo performances, são formas de continuamente testar as fronteiras entre brincadeira e "pra valer".

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

As melhores performances do Fluxus

(... segundo a minha opinião.) É para fervilharmos nossos mentecorpos. (E esta postagem vai ser editada até eu terminar essa "coletâena" do catálogo Fluxus.)

Micro 1 - Enrole um microfone com um pedaço de papel muito grande. Faça um pacote apertado. Mantenha o microfone ligado por mais cinco minutos. (Tekehisa Kosugi, data desconhecida)

Mechanical Fluxconcert - Microfones são colocados na rua, fora das janelas ou escondidos no meio do público. O som é amplificado. (Richard Maxfield, data desconhecida)

Laundry Piece - Para entreter seus convidados, traga o cesto de roupas sujas e explique a eles sobre cada item. Quando e como ele ficou sujo e por quê etc. (Yoko Ono, 1963)

Prelude - Amarre os assentos das poltronas do público aos seus encostos antes da performance. (Nam June Paik, data desconhecida)

Dragging Suite - Arraste com uma corda, pelas ruas e escadas: bonecas pequenas ou grandes, bonecas vestidas ou peladas, bonecas quebradas, sujas ou novas, homens e mulheres reais, instrumentos musicais etc. (Nam June Paik, data desconhecida)

Moving Theather - Uma frota fluxus de carros e caminhões transita na cidade durante a hora do rush. Num momento determinado, todos os motoristas param os carros, desligam os motores, saem dos carros, trancam as portas e saem caminhando. (Nam June Paik, data desconhecida)

Nap - Prepare uma cama na mesa da sala. Preferivelmente a mesa onde se come. Tire uma sesta nela. (Willem De Ridder, 1964)

Sanitas No.2 - O auditório ou teatro deve ser escuro. Performers jogam pequenos objetos no público, como moedas ou brinquedos, e tentam encontrar esses objetos usando lanternas. (Tomas Schmit, data desconhecida)

Sanitas No.35 - Folhas em branco são mostradas ao público sem nenhuma explicação. Por cinco minutos. (Tomas Schmit, data desconhecida)

Sanitas No.165 - O público está sentado em cadeiras não-numeradas, então pede-se a eles que corrijam o engano trocando, por exemplo, da primeira fila para a última etc. (Tomas Schmit, data desconhecida)

Spatial Poem No.1 - Escreva uma palavras ou algumas palavras num cartão de papel e coloque-o em algum lugar. Por favor, diga para mim a palavra e o lugar que eu vou editar o mapa-mundi. (Mieko Shiomi, 1965)

Smoke Poem - Material: cigarros, isqueiros, canetinhas finas. Cada voluntário no público escreve num cigarro o nome de alguém que odeia ou por quem não tem simpatia. No caso de não haver nenhuma pessoa assim, ele pode escrever o nome de um peixe. Então todos fumam ao mesmo tempo. (Mieko Shiomi, 1966)

Music for Two Players - Numa peça fechada, passem duas horas em silêncio. (Podem fazer qualquer coisa, menos emitir sons com a voz.) (Mieko Shiomi, 1963)

Event for the Late Afternoon - À tardinha, suspenda um violino com uma corda comprida do terraço de um edifício até ele quase encostar no chão. (Mieko Shiomi, 1963)


Opus 23 - [Determine uma data.] Sente-se das 19h00 às 20h03 (determine o fuso) e pense nas pessoas em todo o mundo que podem estar fazendo esta performance. (Eric Andersen, 1961)

Choice 3 - Um piano está no palco. O performer entra usando um capacete. Ele toma a maior distância possível do piano. Ele bate com a cabeça no piano com a maior velocidade possível. (Robert Bozzi, 1966)

Cheers - Conduza um grande número de pessoas até a casa de um desconhecido. Bata na porta. Quando alguém abrir a porta, a multidão aplaude e saúda de forma vigorosa. Todos vão embora em silêncio. (Ken Friedman, 1965)

Fluxus Television - Pinte programas e imagens no vidro da televisão. (Ken Friedman, 1966)

Orchestra - Uma orquestra de "tocadores de toca-discos". (Ken Friedman, 1967)

Empaquetage pour Christo - Um objeto modesto é empacotado [na nossa linguagem, ele é tornado monstro]. (Ken Friedman, 1967)

Loss - Perca ferramentas ou objetos úteis. (Ken Friedman, 1971)

White Tooth Workshop - Escova seus dentes usando uma escova diferente para cada dente. (Ken Friedman, 1989)

Stage Fright Event - (...) Somente as pernas do joelho para baixo devem estar visíveis. (...) (Ken Friedman, 1991)

Bird Call - Telefone para um passarinho. Se você não conhece nenhum passarinho que tenha telefone, dê um telefonema em que você faça sons de passarinho. (Ken Friedman, 1992)

Magic Trick #2 - Caminhe no palco com uma marreta, um ovo e um pequeno gravador. Coloque o ovo num lado do palco. coloque o gravador no outro lado. Pressione play no gravador. Caminhe de volta até o ovo. Pegue a marreta e esmague o ovo. Sente e espere. Depois de 15 segundos, o gravador toca o som de uma galinha. (Ken Friedman, 1993)

Fall - Atire coisas difíceis de serem jogadas por serem leves. (Lee Helfin, data desconhecida)

Ice Trick - Passe um pedaço de gelo entre os membros do público enquanto toca sons de fogo ou enquanto há algum fogo real no palco. A peça termina quando o gelo derrete completamente. (Lee Helfin, data desconhecida)

Street Cleaning Event - Os atores estão vestidos de branco como técnicos de laboratório. Eles vão a um local selecionado na cidade. Uma área de calçada é designada para o evento. A calçada é limpa meticulosamente com objetos e produtos que não são usadas para limpeza de rua, como pasta-de-dente, escova-de-dente, cotonetes com álcool, bolas de algodão, esponjas, guardanapos etc. (Hi Red Center, data desconhecida)

From Twelve Lectures about the Same Thing or Bartenders Who Have no Wings - Ato seis: uma garota linda está nua. Depois de algum tempo ela se dá conta de que está nua e fica sem jeito. (Dick Higgins, 31 de maio de 1966)

Lessons - Telefone para um número qualquer e pergunte o nome da pessoa que atender. Telefone para um conhecido e peça pelo nome obtido na primeira ligação. (Davi Det Hompson, 1969)

Dog Symphony - Cães são permitidos no público. A orquestra é equipada com apitos para cães. Ao sinal do maestro, o apito é assoprado e tocado enquanto os cachorros latem. (Joe Jones, data desconhecida)

Calls, Canto 6 (Letter) - Abra um envelope vazio com as duas mãos e fale alto dentro dele. Então feche-o rapidamente e envie-o para alguém. (Bengt Af Klintberg, dezembro de 1965/junho de 1966)

Party Event - Mande convites para todos os seus amigos - exceto um deles - com o seguinte conteúdo: festa verde roupas verdes. E mande para um deles: festa vermelha roupas vermelhas. (Bengt Af Klintberg, 1967)

Cat - Pegue um gato. (Milan Knizak, 1965)

Killing the Books - Com tiro, queimando, afogando, cortando, colando, pintando etc. (Milan Knizak, 1965-1970)

terça-feira, 29 de setembro de 2009

SOBRE A IMPOSSIBILIDADE DE ENSINAR


e a INEVITABILIDADE DO APRENDER
=D


CLIQUE AQUI CLIQUE ME CLIQUE ME CLIQUE ME!!!!



esse artigo científico utiliza-se dos CONCEITOS MAturaneanos e Vareleanos hehehe, para distinguir conhecer, conhecimento, aprendizado e ensino.
as vezes fica super ultra confuso, mas vamos lembrar do velho guerreiro
Eu vim para confundir e não para explicar
auhauhuha


Classificação: Artigo Científico. Como citar este artigo: Andrade, L. A. B. e Silva, E. P. da (2005). O conhecer e o conhecimento: comentários sobre o viver e o tempo. Ciências & Cognição; Ano 02, Vol 04, mar/2005. Disponível em www.cienciasecognicao.org

Ciências & Cognição 2005; Vol 04: 35-41 <> © Ciências & Cognição - Submetido em 25 de Fevereiro de 2005| Aceito em 26 de Março de 2005 | ISSN 1806-5821 – Publicado on line em 31 de Março de 2005

sábado, 26 de setembro de 2009

Quartett

La mort d'une putain. Au present nous sommes seul. Cancer mon amour

cena final:
Mdamme esta deitada no chao, a direita alta do palco, horizontalmente alinhada com a boca de cena. Este alinahmento dialoga com um faixo de luz azul no fundo do palco no ciclorama, que aos poucos vai se abrindo e tornando-se branco, um aquario com dois peixes negros e solitarios cruza lentamente o palco. ea levanta-se agora o faixod e luz ja se abriu no ciclorama doto branco vemos ela de pe dirigindo-se a luz segurando um sapato de salto.

a morte de uma puta, agora estamos sós. câncer, meu amor. repete...repete...repete....repete...repete... some no branco

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Stelarc - The Body is Obsolete


para assistir a reportagem completa clique aqui
Site do Tiozão FURIOUUUSO

As performances idiossincráticas de Stelarc freqüentemente envolvem robótica ou outras tecnologias relativamente modernas integradas de algum modo com seu corpo. Em 25 diferentes performances, ele fez suspender-se através de ganchos, freqüentemente com uma de suas invenções robóticas integrada. Em outra performance, permitiu que seu corpo fosse controlado remotamente por estimuladores eletrônicos de músculos conectados à internet. Ele também já se apresentou com uma terceira mão robótica, um terceiro braço robótico, e dentro de uma máquina de andar pneumática semelhante a uma aranha com seis pernas, controlada através de gestos dos braços.

Suas obras têm sido saudadas por sua capacidade de envolver uma ampla audiência, sendo o melhor exemplo disto a concordância para que internautas se conectassem na exibição e passassem a controlar os eletrodos aos quais seu corpo suspenso estava conectado.

[editar] Orelha no braço

Em 2007 Stelios Arcadiou causou polêmica ao cultivar uma prótese de orelha humana através de cultura celular e depois implanta-la em seu braço esquerdo com uma cirurgia.[1] Ele foi o primeiro e único homem a utilizar esta técnica.[2]

fonte WIKIIIII

Orlan


Auto Hibridação

Black Mountain College

ABC do Dadaísmo!



MArina Abramovic - Autobiógrafa - Performance- Video

Clique AQUI
para ver um belo video de MArina Abramovic

fonte
UBUWEB

domingo, 20 de setembro de 2009

experiência direta

blog dharma/arte
O SIMBOLISMO DA EXPERIÊNCIA
texto: Chögyam Trungpa; fotos: Douglas Dickel

"O tema do simbolismo não interessa apenas a artistas ou a historiadores da arte, e sim a todos que gostariam de compreender e desenvolver a si próprios. O objetivo não é ensinar uma série de truques, mas ajudar-nos a compreender algo sobre nós mesmos, nossa visão da vida e o mundo dos fenômenos em geral. Por sua vez, também poderíamos entender como aplicar essa visão de maneira audiovisual. O simbolismo baseia-se naquilo que experimentamos de maneira pessoal e direta em nossa vida. Toda atividade é simbolismo fundamental. O universo está constantemente tentando chegar até nos para dizer ou ensinar algo, mas nós o rejeitamos o tempo todo."
leia mais

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Fotos Beuys - Link Dissertação

“My intention with this work was to recall my point departure and with it the experience and feeling of my childhood. It acts as a kind of autobiographical key: an object from the outer world, as solid material thing invested with energy of a spiritual nature. You could call this substance, and it is the transformation of substance that is my concern in art, rather
than the traditional aesthetic understanding of beautiful appearances. If the creativity relates to the transformation, change, and development of substance, then it can be applied to everything in the world, and is no longer restricted to art…”

J. BEuys

Aqui neste textinho Beuys dá um toque sobre autobiografia e conceitua seu entendimento de SUBSTÂNCIAS. Um material sólido investido de energia de uma natureza espiritual. vc chama issod e substância e é a transformação da substância é minha preocupação na arte mais que o entendimento estético sobre as aparências bonitas. Se a CRIATIVIDADE é relacionada a TRANSFORMAÇÃO, mudança e desenvolvimento das SUBSTÂNCIAS, ISSO PODE SER APLICADO A TUDO NO MUNDO E NÃO ESTARÁ MAIS RELACIONADO APENAS A ARTE....



Achei uma dissertação de mestrado da PUC sobre o Beuys Fica o link aqui
PS: vcs sabem, que todas as dissertações e teses feitas a partir de 2005 em todas faculs do Brasil estão disponíveis na internet. Comecem a Pesquisar galeiiira
=D

"Cada homem é um artista - a estética é o ser humano";


"Deve haver uma relação entre o criador e o que usufrui - viver é criar com e para a humanidade";


"Conceito ampliado de arte - arte é a vida";


"Deus e o mundo são arte - arte é ciência e ciência é arte";


"O uno é o múltiplo e o múltiplo é o uno."